ENEM - Exame Nacional do Ensino Médio

O Exame Nacional do Ensino Médio – Enem é uma prova criada pelo Ministério da Educação do Brasil, durante o governo FHC, pelo ministro Paulo Renato, e reformada pelo atual ministro da educação, Fernando Haddad, que é utilizada como exame de acesso ao Ensino Superior em algumas universidades brasileiras e como ferramenta para avaliar a qualidade geral do Ensino Médio no país, classificando as escolas de acordo com a nota obtida.

A prova, que era realizada no último fim de semana de agosto, agora está sem calendário definido e pode ser realizada anualmente no mês de outubro ou em até três oportunidades, também é feita por pessoas com interesse em ganhar pontos para o Programa Universidade para Todos ( ProUni ) e desde 2009, serve como certificação de conclusão do Ensino Médio em cursos de Educação de Jovens e Adultos (EJA), antigo supletivo, substituindo o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja).

O Enem é tido como um exame que segue uma referência teórica construtivista. Suas provas têm sido elaboradas priorizando a resolução de problemas (Macedo, 2005 a,b,c). Como decorrência desse foco, outro autor assinala que suas provas não devem valorizar significativamente a memorização ou a mera rapidez de pensamento, mas a capacidade dos alunos em relacionar as informações dispostas pelo próprio item. Esse princípio enfatiza a capacidade de o estudante estabelecer novas conexões para lidar com questões que sejam verdadeiros desafios (Fini, 2005). Seguindo esse princípio, portanto, todos os itens do Enem devem pelo menos se aproximar dessa condição (Macedo, 2005 a,b,c). Para isso, necessitam fornecer as informações necessárias para que os estudantes possam resolver o problema proposto.



Enem 2012 - Mec pode mudar a organização das provas




Novo Enem

O desafio é de o aluno ser capaz de interpretar as informações, saber organizá-las, coordená-las adequadamente e projetar possibilidades, envolvendo o tom da novidade, de modo que os esquemas prévios já aprendidos não determinem totalmente a resolução do problema (Fini, 2005).

D

Em 2009, Fernando Haddad, ministro da educação, apresentou a proposta de unificar o vestibular das universidades federais utilizando um novo modelo de prova para o Enem.

O MEC argumenta que o vestibular tradicional desfavorece candidatos que não podem se locomover pelo território. Assim, um jovem que queira prestar medicina e tenha problemas financeiros, dificilmente poderá participar de processos seletivos de diferentes faculdades - e terá suas chances de aprovação reduzidas. Por outro lado, as federais localizadas em Estados menores ficam restritas aos candidatos de suas regiões.

De acordo com a Pnad 2007 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), de todos os estudantes matriculados no primeiro ano do ensino superior, apenas 0,04% residem no estado onde estudam há menos de um ano. Isso significa que é muito baixa a mobilidade entre estudantes nas diferentes unidades da Federação. Nos Estados Unidos, 19,2% dos alunos mudam de estado para cursar a universidade ou o chamado college.

Além disso, o ministério afirma que um exame nacional unificado, desenvolvido com base em habilidades e conteúdos mais próximas do cotidiano, passaria a ser importante para definir a política educacional e o conteúdo a ser ensinado no segundo grau.

Devido à comprovação de vazamento da prova, que teve cadernos furtados em uma das gráficas que a produziu, o exame que estava planejado para ser realizado em outubro de 2009 foi adiado. Segundo especialistas, houve falta de planejamento e pressa na implantação do novo Enem.

Usos

Pelos participantes

A nota do Enem pode ser utilizada como acesso ao Ensino Superior em universidades brasileiras que aderiram ao Enem como forma única ou parcial de seleção. Cada universidade tem autonomia para aderir ao novo Enem conforme julgue melhor.

A nota também pode ser utilizada por pessoas com interesse em ganhar pontos para o Programa Universidade para Todos (ProUni).

A participação na prova serve como certificação de conclusão do Ensino Médio para pessoas maiores de 18 anos de idade.

Pelo governo

Os resultados do Enem são utilizados pelo governo do país como ferramenta para avaliar a qualidade geral do Ensino Médio no país, orientando as políticas educacionais do Brasil. Os dados apontados por essas avaliações têm mostrado, por exemplo, a distância entre o nível do ensino público e o particular. Mesmo numa prova que avalia habilidades e competências, em detrimento da memorização de conteúdos, a diferença de notas entre alunos de um e outro sistema de ensino é de 62% de diferença nas notas em 2005.

Características do Enem

Duração 2 dias, com 5 horas no primeiro dia, e 5 horas e 30 minutos no segundo dia

Provas

Quatro, com 45 questões cada + uma prova de redação

  • *Ciências da Natureza e suas Tecnologias
  • *Ciências Humanas e suas Tecnologias
  • *Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
  • *Matemática e suas Tecnologias
  • *Prova de redação

Questões 180 de múltipla escolha + 1 redação

O Enem é um exame diferente dos vestibulares tradicionais aplicados pelas próprias instituições, pois tem como característica a multidisciplinaridade. O conceito de transdiciplinaridade consiste em formular questões que dependem do uso de duas ou mais disciplinas aprendidas no ensino médio para obter sua resposta. Muitas faculdades e universidades usam a nota do Enem em seus processos seletivos. Isso tem feito com que cada vez mais alunos participem anualmente da prova. O novo modelo de prova do Enem, realizado em dezembro de 2009, contou com 180 questões e uma redação.

O modelo novo como o anterior, contém todas as questões de múltipla escolha com 5 alternativas. Para evitar fraude, a prova é realizada em 4 versões identificadas por cores (amarela, branca, rosa e azul). O que difere uma prova da outra é a ordem das questões e alternativas. No entanto, as questões e textos das provas são os mesmos.

Competências e Habilidades

O Enem é estruturado a partir de 4 competências - definidas como modalidades estruturais da inteligência, ações e operações que utilizamos para estabelecer relações com e entre objetos, situações, fenômenos e pessoas que desejamos conhecer - e 21 habilidades, definidas como decorrentes das competências adquiridas e que se referem ao plano imediato do "saber fazer", articulando-se por meio das ações e operações.

Competências

I- Dominar a norma culta da língua portuguesa e fazer uso da linguagem matemática, artística e científica.

II- Construir e aplicar conceitos das várias áreas do conhecimento para a compreensão de fenômenos naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas.

III- Selecionar, organizar, relacionar, interpretar dados e informações representados de diferentes formas, para tomar decisões e enfrentar situações-problema.

IV- Relacionar informações, representadas em diferentes formas, e conhecimentos disponíveis em situações concretas, para construir argumentação consistente.

V- Recorrer aos conhecimentos desenvolvidos na escola para elaboração de propostas de intervenção solidária na realidade, respeitando os direitos humanos e considerando a diversidade sociocultural.

Habilidades

1- Dada a descrição discursiva ou por ilustração de um experimento ou fenômeno, de natureza científica, tecnológica ou social, identificar variáveis relevantes e selecionar os instrumentos necessários para sua realização ou interpretação.

2- Em um gráfico cartesiano de variável socioeconômica ou técnico-científica, identificar e analisar valores das variáveis, intervalos de crescimento ou decréscimo e taxas de variação.

3- Dada uma distribuição estatística de variável social, econômica, física, química ou biológica, traduzir e interpretar as informações disponíveis ou reorganizá-las, objetivando interpolações ou extrapolações.

4- Dada uma situação-problema, apresentada em uma linguagem de determinada área de conhecimento, relacioná-la com sua formulação em outras linguagens e vice-versa. 5- A partir da leitura de textos literários consagrados e de informações sobre concepções artísticas, estabelecer relações entre eles e seu contexto histórico, social, político ou cultural, inferindo as escolhas dos temas, gêneros discursivos e recursos expressivos dos autores.

6- Com base em um texto, analisar as funções da linguagem, identificar marcas de variantes lingüísticas de natureza sociocultural, regional de registro ou de estilo e explorar as relações entre as linguagens coloquial e formal.

7- Identificar e caracterizar a conservação e as transformações de energia em diferentes processos de sua geração e uso social e comparar diferentes recursos e opções energéticas.

8- Analisar criticamente, de forma qualitativa ou quantitativa, as implicações ambientais, sociais e econômicas dos processos de utilização dos recursos naturais, materiais ou energéticos.

9- Compreender o significado e a importância da água e de seu ciclo para a manutenção da vida, em sua relação com condições socioambientais, sabendo quantificar variações de temperatura e mudanças de fase em processos naturais e de intervenção humana.

10- Utilizar e interpretar diferentes escalas de tempo para situar e descrever transformações na atmosfera, biosfera, hidrosfera e litosfera, origem e evolução da vida, variações populacionais e modificações no espaço geográfico.

11- Diante da diversidade da vida, analisar, do ponto de vista biológico, físico ou químico, padrões comuns nas estruturas e nos processos que garantem a continuidade e a evolução dos seres vivos.

12- Analisar fatores socioeconômicos e ambientais associados ao desenvolvimento, às condições de vida e saúde de populações humanas, por meio da interpretação de diferentes indicadores.

13- Compreender o caráter sistêmico do planeta e reconhecer a importância da biodiversidade para preservação da vida, relacionando condições do meio e intervenção humana.

14- Diante da diversidade de formas geométricas planas e espaciais, presentes na natureza ou imaginadas, caracterizá-las por meio de propriedades, relacionar seus elementos, calcular comprimentos, áreas ou volumes e utilizar o conhecimento geométrico para leitura, compreensão e ação sobre a realidade.

15- Reconhecer o caráter aleatório de fenômenos naturais ou não e utilizar em situações-problema processos de contagem, representação de freqüência relativa, construção de espaços amostrais, distribuição e cálculo de probabilidades.

16- Analisar, de forma qualitativa ou quantitativa, situações-problema referentes a perturbações ambientais, identificando fonte, transporte e destino dos poluentes, reconhecendo suas transformações, prever efeitos nos ecossistemas e sistema produtivo e propor formas de intervenção para reduzir e controlar os efeitos da poluição ambiental.

17- Na obtenção e produção de materiais e insumos energéticos, identificar etapas, calcular rendimentos, taxas e índices e analisar implicações sociais, econômicas e ambientais.

18- Valorizar a diversidade dos patrimônios etnoculturais e artísticos, identificando-a em suas manifestações e representações em diferentes sociedades, épocas e lugares.

19- Confrontar interpretações diversas de situações ou fatos de natureza históricogeográfica, técnico-científica, artístico-cultural ou do cotidiano, comparando diferentes pontos de vista, identificando os pressupostos de cada interpretação e analisando a validade dos argumentos utilizados.

20- Comparar processos de formação socioeconômica, relacionando-os com seu contexto histórico e geográfico.

21- Dado um conjunto de informações sobre uma realidade histórico-geográfica, contextualizar e ordenar os eventos registrados, compreendendo a importância dos fatores sociais, econômicos, políticos ou culturais.

SAIBA MAIS: COMPETÊNCIAS E HABILIDADES

http://www.enem.inep.gov.br/pdf/Enem2009_matriz.pdf

RESULTADOS

O resultado do Enem de determinado ano sai apenas no ano seguinte. Logo, em 2009, levou-se em consideração a pontuação do ano de 2008.

As notas de cada escola vão de 0 a 100, de acordo com a média das notas dos alunos de cada instituição que participaram do exame.

Há críticas quanto ao sistema de pontuação do Enem, já que a pontuação de cada escola não necessariamente reflete a qualidade da mesma. Do mesmo modo, a classificação melhor ou pior não necessariamente indica que uma escola é melhor ou pior do que outra.

Em 2009, segundo dados do Ministério da Educação, 541 das 2252 Instituições de Educação Superior (IES) utilizarão a prova, seja como nota total ou parcial. Destas, 25 são universidades federais.

Os custos envolvidos com desenvolvimento, distribuição e segurança, além dos extras provocados pelo extravio da prova e de sua consequente reformulação, batem na casa dos R$ 130 milhões.

No ano de 2010, os resultados da prova do Enem poderão ser utilizados para a seleção total ou parcial dos candidatos dependendo das instituições que aderiram ou não ao Sistema de Seleção Unificada (SISU). Em caso de adesão ao sistema, o INEP encaminhou o resultado ao MEC para utilização do SISU que tem previsão para a abertura das inscrições na segunda quinzena de janeiro de 2011 e para as instituições que decidiram utilizar seu próprio método de processo seletivo, usando resultados individuais dos candidatos, deveriam enviar uma solicitação ao INEP até o dia 15 de dezembro de 2010. O resultado do Enem 2010 está previsto para sair na primeira quinzena de janeiro de 2011.

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