
Pesquisadores do Instituto Carlos Chagas, vinculado à Fiocruz Paraná, alcançaram um marco científico com a concessão de patentes internacionais para uma enzima inovadora destinada ao tratamento da Leucemia Linfoide Aguda (LLA).
A conquista foi registrada na China, em julho de 2024, e nos Estados Unidos, em dezembro do mesmo ano. O processo de patente está em análise em outros países como Canadá, Índia e na Comunidade Europeia.
Um avanço na luta contra o câncer infantil
A enzima desenvolvida é uma versão modificada da asparaginase humana, que se destaca por sua menor toxicidade e menor risco de rejeição imunológica em comparação ao medicamento importado atualmente utilizado.
Segundo os pesquisadores, a enzima humana original não apresentava atividade bioquímica suficiente para uso terapêutico. No entanto, o estudo identificou alterações estruturais capazes de ativá-la, tornando-a funcional para fins médicos.
A versão humana da enzima, por si só, não tem atividade bioquímica suficiente para ser usada como medicamento. Nosso estudo identificou alterações estruturais capazes de ativá-la, explicou Tatiana Brasil, pesquisadora responsável pelo projeto.
Produção nacional e impacto no SUS
A inovação abre portas para a fabricação nacional do medicamento, reduzindo custos e a dependência de importações. Isso pode beneficiar diretamente o Sistema Único de Saúde (SUS), ampliando o acesso ao tratamento de crianças e adultos com LLA.
Stenio Fragoso, diretor da Fiocruz Paraná, destacou a importância estratégica desse avanço: Essa conquista demonstra a capacidade do Instituto Carlos Chagas de produzir inovações científicas com impacto direto na população.
Além disso, Fabrícia Pimenta, coordenadora da Assessoria de Novos Negócios e Inovação da Fiocruz Paraná, enfatizou: A concessão dessas patentes reforça a relevância da inovação científica nacional.
Próximos passos: testes pré-clínicos
O projeto agora foca na otimização da produção da enzima para testes pré-clínicos.
Essa etapa será realizada em parceria com o Instituto Nacional de Câncer (INCA) e Biomanguinhos, unidade da Fiocruz especializada em biofármacos.
Os resultados podem consolidar ainda mais a viabilidade do uso clínico dessa enzima no combate à leucemia.
Estudos e dados
O estudo revelou que a asparaginase humana inicialmente não apresentava atividade suficiente para degradar a asparagina, essencial para a proliferação das células cancerígenas.
Além disso, os pesquisadores destacaram que essa nova versão pode ser especialmente eficaz para pacientes adultos que têm maior probabilidade de rejeição à versão bacteriana do medicamento.
