
No dia 15 de agosto de 2025, o Sistema Único de Saúde (SUS) iniciou a utilização do teste de biologia molecular DNA-HPV, desenvolvido nacionalmente pelo Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) em conjunto com a Fiocruz e o Governo do Paraná.
Essa inovação tecnológica representa um marco, pois permitirá a identificação precoce do vírus papilomavírus humano (HPV), responsável pela maioria dos casos de câncer do colo do útero, antes mesmo do surgimento de lesões, incluindo em mulheres sem sintomas.
A cerimônia oficial de lançamento aconteceu no Hospital da Mulher, em Recife (PE), com o ministro da Saúde Alexandre Padilha presente, além de eventos simultâneos em diversos estados como Bahia, Espírito Santo, Rio Grande do Sul e Paraná.
Vantagens e Implementação Progressiva até 2026
O teste brasileiro identifica até 14 diferentes genótipos do HPV, proporcionando um rastreamento mais preciso e sensível.
Com essa tecnologia, o SUS vai alcançar maior equidade ao atingir populações remotas e grupos com menor acesso a serviços de saúde.
Inicialmente, será implantado em um município por estado, com previsão de expansão para cobrir todo o país até o final de 2026, beneficiando cerca de 7 milhões de mulheres entre 25 e 64 anos anualmente.
Estrutura e Apoio Técnico
A Unidade de Apoio ao Diagnóstico da Fiocruz (Unadig), sediada no Rio de Janeiro, ficará responsável pelo processamento laboratorial das análises do DNA-HPV, utilizando a infraestrutura criada durante a pandemia de Covid-19.
O Instituto Nacional do Câncer (INCA), em parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein, também contribuíram com cursos especializados para formar profissionais da rede pública, além de suporte técnico para municípios e estados.
Depoimentos do Evento de Lançamento
Alexandre Padilha destacou a importância dessa nova abordagem: A partir de hoje, estamos implementando essa nova forma de diagnóstico e prevenção do câncer do colo do útero em 12 estados brasileiros. Estamos aproveitando a infraestrutura criada durante a pandemia para os testes de biologia molecular. Essa estrutura agora será utilizada para o diagnóstico do HPV, permitindo reduzir o tempo de espera e iniciar o tratamento o mais rápido possível.
Mario Moreira, presidente da Fiocruz, enfatizou o papel da unidade laboratorial: Em mais uma ação de fortalecimento do SUS, a Unidade de Apoio ao Diagnóstico da Fiocruz [Unadig], localizada no campus sede da Fundação no Rio de Janeiro, apoiará o processamento laboratorial das análises.
Segundo o ministro da Saúde, o impacto dessa medida é essencial: O câncer do colo do útero ainda é o que mais mata mulheres no Nordeste. No Brasil, são 20 mortes por dia — até seis vezes mais que os casos de feminicídio em alguns estados. Com diagnóstico mais rápido e tratamento precoce, podemos salvar muitas vidas.
Sobre a substituição do exame antigo, Padilha explicou: Com o Papanicolau, o exame precisa ser repetido a cada três anos. Com essa nova tecnologia, o intervalo passa a ser de cinco anos. Além disso, elimina a necessidade de nova coleta quando o resultado é inconclusivo — a mesma amostra já serve para todos os exames necessários, acelerando o encaminhamento ao tratamento.
Mudanças no Rastreamento e Inclusão da Autocoleta
O novo modelo de rastreamento envolve convite ativo e acompanhamento das mulheres na faixa etária indicada pelo SUS, entre 25 e 64 anos.
As equipes de Saúde da Família e os Agentes Comunitários de Saúde farão o levantamento e monitoramento das mulheres que não realizaram o exame ou estão com o teste atrasado.
Além disso, o Ministério da Saúde planeja oferecer a opção de autocoleta para populações com dificuldade de acesso ou resistência ao exame ginecológico tradicional, como mulheres em situação de vulnerabilidade social, refugiadas e pessoas LGBTQIAPN+.
O procedimento será orientado por profissionais e as amostras coletadas em casa poderão ser entregues nas unidades básicas de saúde para análise.
Dados e Pesquisa Científica
Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados 17.010 novos casos de câncer do colo do útero por ano no triênio 2023-2025, com incidência de 15 casos para cada grupo de 100 mil mulheres.
O rastreamento organizado oferecido com o teste DNA-HPV será ampliado em cerca de 5,6 milhões de mulheres nos estados onde já começou a ser implementado, com o objetivo de atingir a oferta nacional até 2026.
A elaboração das diretrizes para esse rastreamento contou com a participação de 81 especialistas representando cinco Secretarias do Ministério da Saúde, além da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e outras 37 instituições, entre universidades, hospitais e sociedades médicas.
Fonte dos dados epidemiológicos e diretrizes: Instituto Nacional de Câncer (INCA), Diretrizes Brasileiras de Rastreamento do Câncer do Colo do Útero.
