
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por meio do Instituto Bio-Manguinhos, alcançou um avanço científico inédito no país ao desenvolver a primeira plataforma nacional para criação de vacinas e terapias baseadas em RNA mensageiro (RNAm).
Esse marco representa uma grande vitória para a autonomia tecnológica brasileira, permitindo o desenvolvimento rápido, eficiente e com custos reduzidos de imunizantes inovadores.
A iniciativa contou com o apoio do Ministério da Saúde e recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Flexibilidade tecnológica para diferentes doenças
A plataforma foi projetada para ser adaptável: basta inserir a informação genética específica de cada agente infeccioso para o sistema imunológico ser treinado a combatê-lo, sem a necessidade de reinício do processo.
Essa tecnologia nacional já está registrada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
O primeiro produto a ser desenvolvido será uma vacina contra a Covid-19, com testes toxicológicos já finalizados e o início dos testes clínicos previsto para ainda este ano, 2025.
Além disso, pesquisas em desenvolvimento incluem vacinas contra leishmaniose, tuberculose e tratamentos para câncer.
Exclusividade no envoltório lipídico e autonomia nacional
Um diferencial importante desenvolvido pela Fiocruz é um envoltório lipídico próprio que protege o RNA, garantindo estabilidade ao imunizante e eliminando a dependência de formulações externas — fator que reduz custos e fortalece a independência tecnológica do país.
Impacto para o Sistema Único de Saúde (SUS) e além
Essa inovação é estratégica para fortalecer o Complexo Econômico e Industrial da Saúde (Ceis) e ampliar o acesso da população brasileira a imunizantes de ponta.
Também contribui para diminuir desigualdades globais em saúde, posicionando o Brasil na fronteira da ciência mundial.
Reconhecimento internacional e liderança regional
Desde 2021, o Bio-Manguinhos/Fiocruz é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como centro de referência em vacinas de RNA mensageiro na América Latina.
O projeto de RNAm teve início em 2018, inicialmente voltado para terapias contra o câncer de mama, e hoje a Fiocruz se destaca como protagonista na inovação em saúde pública.
Patricia Neves, líder do projeto RNA em Bio-Manguinhos, ressalta: Essa conquista é um marco importante para posicionar o Brasil na vanguarda da biotecnologia, reforçando nosso papel estratégico para a ampliação do acesso a medicamentos na América Latina e África. (fonte direta).
Fontes científicas e dados técnicos
- Testes toxicológicos da vacina de RNAm contra Covid-19 já foram concluídos pela Fiocruz.
- Estudo clínico com início previsto para 2025.
- Pesquisa avançada para vacinas contra leishmaniose e tuberculose, além de terapias para câncer.
Reconhecimento da Organização Mundial da Saúde ao Bio-Manguinhos como centro de referência para a América Latina, desde 2021.
