Pesquisa USP: revela perigo iminente do novo mosquito da malária.

  • Categoria do post:USP
Mudanças climáticas aumentam o risco da malária urbana trazida pelo Anopheles stephensi
Estudos apontam que 40% da população vive em áreas propícias ao novo vetor da malária

Mudanças climáticas e transporte marítimo: dupla ameaça favorece chegada do Anopheles stephensi ao Brasil

Pesquisadores brasileiros revelam preocupações sobre o crescente risco da malária atingir áreas urbanas em nosso país.

O cenário está mudando devido à possibilidade da introdução do mosquito asiático Anopheles stephensi, que já tem presença confirmada em cerca de 14 países e vem avançando rapidamente desde que foi identificado como invasor, em 2012, no continente africano.

Tradicionalmente, a malária era uma doença restrita aos ambientes florestais, principalmente devido à atuação do mosquito Anopheles darlingi, vetor predominante na Amazônia e zonas rurais.

O novo vetor, porém, possui elevada habilidade para ocupar espaços urbanos e se adapta facilmente ao clima brasileiro, segundo pesquisadores do Grupo de Estudos em Saúde Planetária Brasil (SPBr) da USP e da Faculdade de Saúde Pública.

Como o novo mosquito pode chegar ao Brasil?

O Anopheles stephensi difere de outros transmissores de malária porque utiliza recipientes com água parada para procriação, assim como o conhecido Aedes aegypti, provocador de dengue, zika e chikungunya.

Pneus velhos, caixas d’água e latas abandonadas tornam-se potenciais criadouros em zonas urbanas.

Sua chegada ao território brasileiro pode ocorrer principalmente de duas maneiras: pelo transporte de cargas internacionais via navios – onde ovos ou adultos do mosquito podem acompanhar mercadorias entre portos – ou pelo deslocamento com fluxos de vento, especialmente após sua introdução inicial.

O que dizem os especialistas: citações diretas

André Luís Acosta, coordenador do SPBr e um dos líderes do estudo, destaca:
Quando esse navio [de mercadorias] descarrega no outro porto pode levar até mesmo mosquitos adultos, porque alguns eclodem durante a viagem.

Acosta reforça que a vigilância precisa ser antecipada e sistemática:

A detecção do mosquito antes de algum processo de transmissão de malária é o mais importante para conseguirmos monitorar e controlar a entrada do vetor, e com isso reduzir o risco de urbanização da malária. E não temos nenhuma ideia se ele já chegou ou não [ao Brasil], inclusive. Porque não temos esse tipo de coleta sistemática em portos visando a detectar o vetor.

Quais medidas existem e por que é urgente agir?

No momento, não existem programas públicos voltados à identificação sistemática desse novo vetor nos portos brasileiros.

A prevenção proposta se limita aos cuidados básicos de combate ao Aedes aegypti: evitar qualquer acúmulo de água parada em ambientes domésticos ou industriais.

Estudos e dados levantados

O alerta é fundamentado em uma pesquisa original realizada pelo Grupo de Estudos em Saúde Planetária Brasil (SPBr) da USP e pela Faculdade de Saúde Pública da USP, publicada na revista Scientific Reports.

Os pesquisadores utilizaram projeções climáticas do CMIP6 e combinaram modelos climáticos de três grandes instituições (GCMs), ampliando a precisão dos cenários futuros de expansão do mosquito.

Os dados mostram que, atualmente, cerca de 40% da população mundial vive em regiões suscetíveis ao habitat do Anopheles stephensi, podendo esse número crescer para 56% até o fim do século.

Referência bibliográfica

USP, Jornal da. “Pesquisadores alertam para possível introdução de novo vetor de malária no Brasil.” 20 ago. 2025.

Portal Universidade

Fabio Herdy, bacharel em Comunicação pela UCAM, com 23 anos de experiência em empresa jornalística, especializado em Webwriting, tem ampla experiência em produção de reportagens escritas, audiovisuais e produção de conteúdo para redes sociais. Conheça mais em Quem Somos.

Deixe um comentário