
Brasileiros Acham Indícios de Humanidade Pré-Histórica em Cavernas Secretas da Romênia: O Mistério da Convivência com Neandertais Ganhará Resposta? Grandes Avanços e Descobertas de 2025!”
Brasil e Romênia Unem Forças em Missão Arqueológica para Revelar o Passado da Evolução Humana
Projeto liderado por pesquisadores da USP estão entre as equipes de cientistas brasileiros, em colaboração estreita com pesquisadores romenos e de outros países, está realizando escavações inéditas na Garganta do Vârghiş — um remoto cânion na região central da Romênia, dentro da famosa Transilvânia.
O propósito? Desvendar como Homo sapiens e neandertais interagiram há mais de 40 mil anos.
As escavações mais recentes tiveram início em 22 de julho de 2025, nas cavernas Tatarului e Caverna 1, locais com potencial para revelar capítulos fundamentais da pré-história humana.
A iniciativa tem previsão de conclusão em 9 de agosto de 2025.
Por Que a Romênia é Estratégica para a Origem Humana?
A área escolhida tem uma relevância única: é apontada por pesquisadores como um ponto de convergência entre neandertais e humanos modernos durante o Paleolítico Superior.
A região catalisa interesse internacional faz anos, já que nela foi encontrada, em 2002, uma mandíbula de Homo sapiens datada de cerca de 40 mil anos, com traços morfológicos neandertais e 9% de DNA herdado desses parentes evolutivos próximos, conforme estudo publicado na revista Nature em 2015.
O Que Já Foi Revelado e Por Que Isso É Importante?
Os primeiros trabalhos no local, em agosto de 2024, não trouxeram à tona fósseis de hominínios evidentes, mas revelaram ossos animais com datação de 42 mil anos.
Essa descoberta convenceu os pesquisadores a insistirem, e o esforço valeu a pena: no dia 24 de julho de 2025, dois fragmentos ósseos — um de cavalo, outro ainda a ser identificado — foram localizados com marcas que apontam para intervenção humana. As análises laboratoriais ainda irão confirmar se as incisões são obra de sapiens ou de neandertais.
A escavação das cavernas, como comenta André Strauss, é muito difícil saber ao certo o que iremos encontrar. No cenário mais otimista, um esqueleto neandertal; ou um fragmento de dente, pelo menos. Strauss, ligado ao Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, lidera os trabalhos junto aos parceiros romenos e outros colegas internacionais.
Inovação em Métodos e Novos Horizontes para a Pesquisa
Além de buscar fósseis e artefatos, os cientistas estão coletando amostras dos sedimentos para análise de DNA ambiental sedimentar, uma técnica de ponta que permite rastrear o material genético antigo do ambiente.
As sequências obtidas serão comparadas a bancos de dados internacionais para identificar sinais da presença de neandertais e Homo sapiens no local.
A pesquisa também inclui estudos detalhados sobre como o ambiente das cavernas influenciou a conservação dos artefatos. Nas palavras da geoarqueóloga Ximena Villagran, essa análise é fundamental para todas as interpretações posteriores que se fazem dos artefatos ou restos ósseos, inclusive dos carvões que são usados para datação […].
O grupo também revisitará crânios encontrados em décadas anteriores no leste europeu, avaliando em detalhes características que possam evidenciar cruzamentos genéticos entre sapiens e neandertais.
Parcerias, Sonhos e Perspectivas Futuras
A missão é financiada pela Fapesp e reúne pesquisadores de instituições como USP, Unesp, Universidade do Algarve (Portugal), Universidade Estadual de Ohio (EUA), além de universidades romenas e participantes de outros países.
O arqueólogo Walter Neves, professor sênior da USP e referência internacional em evolução humana, destaca o potencial inovador e as dificuldades do projeto: É como procurar uma agulha no palheiro; mas se você não procurar, não vai achar nunca. E completa, sobre seu papel à frente do grupo: Não sei quanto tempo mais eu terei condições físicas de participar de pesquisas de campo como essa, […] Mas ficarei satisfeito em saber que inseri o Brasil no jet set internacional da paleoantropologia.
O Que Está por Vir?
Os dias finais de escavação prometem ansiedade e uma expectativa grande por achados inéditos, capazes de transformar o conhecimento sobre como sapiens e neandertais conviveram na Europa.
Caso surjam restos ósseos ou vestígios mais claros dessas populações extintas, a missão pode se converter numa pesquisa de longo prazo, colocando o Brasil em posição de destaque global nos estudos sobre a origem do homem moderno.
Estudos e dados científicos originalmente citados na matéria:
A descoberta genética na Romênia foi publicada na revista Nature em 2015: An early modern human from Romania with a recent Neanderthal ancestor, (https://www.nature.com/articles/nature14558)
Pesquisas sobre a presença de DNA neandertal em populações não africanas: mesma fonte.
