
Nos próximos dias, a Universidade de São Paulo (USP) se torna palco de um dos debates mais urgentes da atualidade: como garantir a segurança e a resiliência das estruturas diante das mudanças climáticas.
A Escola São Paulo de Ciência Avançada, que acontece de 3 a 16 de maio de 2025, reúne mais de 50 participantes de 23 países, entre estudantes de doutorado, mestrado, graduação, pós-doutorandos e pesquisadores renomados, todos focados em soluções inovadoras para as infraestruturas do futuro.
O evento, financiado pela Fapesp, é coordenado pelo professor André Teófilo Beck, do Departamento de Engenharia de Estruturas da EESC. Segundo ele, as mudanças climáticas já estão resultando em eventos frequentes e intensos que têm influenciado as cargas estruturais e suas taxas médias de retorno. Assim, aumentar a resiliência das infraestruturas é essencial para minimizar o impacto dessas mudanças no bem-estar social (citação direta).
O que está em jogo?
O aumento da frequência e intensidade de eventos climáticos extremos exige uma revisão urgente dos padrões de segurança das estruturas.
Engenheiros, pesquisadores e estudantes estão sendo desafiados a desenvolver ferramentas e estratégias que tornem pontes, edifícios e sistemas urbanos mais preparados para enfrentar tempestades, inundações, ventos fortes e outros fenômenos naturais cada vez mais imprevisíveis.
Inovações e pesquisas em destaque
Entre as principais discussões e pesquisas apresentadas no evento estão:
- Future Structural Codes: Navigating Safety and Sustainability in Design – Jochen Köhler (Norwegian University of Science and Technology): como os códigos estruturais do futuro podem equilibrar segurança e sustentabilidade.
- Climate change impact on built infrastructure, sustainability, and risk-based approaches to climate resilience – Mark G. Stewart (University of Technology Sydney): estratégias baseadas em risco para adaptar infraestruturas às mudanças climáticas.
- Sustainable and resilient critical infrastructure – Paolo Gardoni (University of Illinois): importância de sistemas críticos preparados para eventos extremos.
- Reducing Emissions by Performance-based Wind Design – Seymour M. J. Spence (University of Michigan): como o projeto de edificações baseado no desempenho frente a ventos pode reduzir emissões.
- Stochastic Engineering Dynamics – Ioannis A. Kougioumtzoglou (Columbia University): incertezas no comportamento dinâmico das estruturas.
- Modeling the built environment as Dynamic Systems for Reducing CO2 Emissions – Maurício Sanchez-Silva (Universidad de Los Andes): modelagem do ambiente construído como sistemas dinâmicos para redução de CO₂.
- Optimal redundancy and optimal robustness of building structures – André T. Beck (USP): estratégias para tornar estruturas mais seguras e eficientes.
- Blue-Green Infrastructure Design and Operation Under Global Changes: the Wild, the Weird and the Wonderful – Eduardo M. Mendiondo (USP): soluções baseadas na natureza.
Métodos de confiabilidade estrutural – André J. Torii (Unila).
Otimização de funções de valor esperado – Rafael H. Lopez (UFSC).
Projetos de desempenho para linhas de transmissão e edifícios com TMDs – Leandro F. F. Miguel (UFSC).
Monitoramento de infraestrutura civil para garantia de confiabilidade e resiliência – Túlio N. Bittencourt (USP).
Climate Change and Infrastructure: Mitigation and Resilience – Vanderley M. John (USP): vínculos entre mudança climática, infraestrutura e estratégias de mitigação.
Todos esses temas são fundamentais para repensar o ambiente construído e garantir que as cidades do futuro sejam seguras, sustentáveis e preparadas para os desafios climáticos.
Por que esse evento é inédito e urgente?
A USP se consolida como referência internacional ao reunir, em tempo real, especialistas de diversos países para debater soluções práticas e inovadoras.
O evento não apenas antecipa tendências, mas também oferece respostas concretas para problemas que já afetam milhões de pessoas ao redor do mundo.
Impactos e soluções práticas para a segurança estrutural frente às mudanças climáticas
Além das discussões acadêmicas, é preciso considerar os impactos práticos das mudanças climáticas nas edificações.
Segundo o site Recuperação, fenômenos como dilatação e contração de materiais, infiltrações, saturação do solo, erosão e estresse hídrico podem comprometer seriamente a segurança e a durabilidade das estruturas.
Para enfrentar esses desafios, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) recomenda investir em estratégias como sistemas de coleta de água da chuva, uso de materiais inovadores, monitoramento contínuo e integração de soluções “verdes” e “cinzas” nos projetos urbanos.
Essas práticas não só aumentam a resiliência das construções, mas também contribuem para a redução dos danos causados por eventos climáticos extremos.
- Fonte: https://jornal.usp.br/
