
Cientistas Brasileiros Revelam Espécie Inédita de Morcego: Conheça o Myotis guarani e sua Importância Global
Descoberta histórica no Pantanal: pesquisadores desvendam morcego críptico e reforçam urgência da conservação ambiental
Expedição Científica no Pantanal Revela Novos Segredos da Biodiversidade Brasileira
Em março de 2025, uma equipe multidisciplinar de cientistas brasileiros, portugueses e norte-americanos realizou uma expedição no Pantanal, um dos biomas mais ricos do planeta.
O objetivo: mapear a biodiversidade e monitorar agentes zoonóticos em morcegos.
O resultado surpreendeu até mesmo os especialistas: a identificação de uma espécie completamente nova, batizada de Myotis guarani, em homenagem ao povo indígena que tradicionalmente habita a região.
O Que Torna o Myotis guarani Tão Especial?
O Myotis guarani é um morcego pequeno, pesando cerca de seis gramas, e se alimenta exclusivamente de insetos. Sua capacidade de consumir mais de 200 insetos por noite — como mariposas, mosquitos e besouros — o transforma em um aliado natural no controle de pragas e vetores de doenças, beneficiando tanto a agricultura quanto a saúde pública.
O animal é encontrado principalmente no Pantanal, mas também habita áreas de transição com o Cerrado e a Mata Atlântica, além de regiões do Chaco na Bolívia, Paraguai e Argentina. Apesar de sua presença em coleções científicas há mais de 120 anos, só agora a espécie foi corretamente identificada, graças a avanços em análises genéticas e morfológicas.
Como a Ciência Descobriu o Myotis guarani?
A descoberta começou com análises genéticas, que apontaram diferenças significativas em relação a outras espécies do gênero Myotis.
Os pesquisadores então compararam características físicas de exemplares guardados em coleções biológicas centenárias, confirmando tratar-se de uma espécie até então desconhecida pela ciência.
Roberto Novaes, pesquisador da Fiocruz Mata Atlântica e primeiro autor do estudo, explica:
Essa descoberta teve início em análises genéticas. Fomos percebendo que as sequências de DNA já apontavam para uma nova espécie do gênero Myotis. A partir daí, começamos a investigar a morfologia de morcegos disponíveis em coleções biológicas centenárias e confirmamos se tratar de uma nova espécie. Levamos esse pressuposto para investigar mais sobre a ocorrência e a história natural dessa nova espécie nas expedições que a Fiocruz Mata Atlântica realiza em diversos biomas do país. Especificamente na recente expedição ao Pantanal que aconteceu em março de 2025, conseguimos obter muitos dados e amostras de Myotis guarani, o que vai permitir diversas pesquisas no futuro.
Morcegos: Aliados ou Ameaças?
Morcegos são frequentemente associados a riscos de zoonoses, mas sua importância ecológica é inegável. Eles desempenham papéis fundamentais na polinização, dispersão de sementes e controle de insetos que prejudicam a agricultura e transmitem doenças. Ricardo Moratelli, coordenador da Fiocruz Mata Atlântica e líder do projeto, destaca:
Essa pesquisa possui grande importância quando consideramos os potenciais impactos das zoonoses de origem silvestre na saúde pública e economia, como foi evidenciado pela pandemia de Covid-19 e outros eventos anteriores, como epidemias de Nipah, na Ásia, e de Marburg na África. Se, por um lado, os morcegos possuem um papel importante como reservatórios de diversos microrganismos, por outro, eles são fundamentais para a manutenção de diversos serviços ecossistêmicos que beneficiam humanos. Isso enfatiza a necessidade de programas de conservação específicos para esses animais, assim como o manejo adequado de populações em contato com humanos.
Desafios e Próximos Passos para a Conservação
Apesar de ser relativamente comum nas áreas onde ocorre, o Myotis guarani enfrenta ameaças crescentes, como desmatamento e incêndios no Pantanal.
Os pesquisadores alertam para a necessidade de monitoramento contínuo e de programas de conservação específicos para garantir a sobrevivência da espécie e a manutenção dos serviços ecossistêmicos que ela proporciona.
Estudos, Pesquisas e Dados
O estudo foi publicado no Journal of Mammalogy, revista internacional de biologia e taxonomia de mamíferos.
O projeto que viabilizou a descoberta é intitulado Rede de prospecção e monitoramento de agentes zoonóticos associados a morcegos no Brasil, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
A expedição ao Pantanal ocorreu em março de 2025, com participação de pesquisadores da Fiocruz Mata Atlântica, Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), Universidade do Porto (Portugal) e Smithsonian Institution (Estados Unidos).
O Myotis guarani pode consumir mais de 200 insetos por noite e está presente em coleções científicas há mais de 120 anos, sendo confundido com outras espécies do gênero Myotis.
A espécie foi identificada por meio de análises genéticas e morfológicas, utilizando uma abordagem chamada taxonomia integrativa.
Citações Diretas Mantidas
Essa descoberta teve início em análises genéticas. Fomos percebendo que as sequências de DNA já apontavam para uma nova espécie do gênero Myotis. A partir daí, começamos a investigar a morfologia de morcegos disponíveis em coleções biológicas centenárias e confirmamos se tratar de uma nova espécie. Levamos esse pressuposto para investigar mais sobre a ocorrência e a história natural dessa nova espécie nas expedições que a Fiocruz Mata Atlântica realiza em diversos biomas do país. Especificamente na recente expedição ao Pantanal que aconteceu em março de 2025, conseguimos obter muitos dados e amostras de Myotis guarani, o que vai permitir diversas pesquisas no futuro – Roberto Novaes, pesquisador da Fiocruz Mata Atlântica.
Essa pesquisa possui grande importância quando consideramos os potenciais impactos das zoonoses de origem silvestre na saúde pública e economia, como foi evidenciado pela pandemia de Covid-19 e outros eventos anteriores, como epidemias de Nipah, na Ásia, e de Marburg na África. Se, por um lado, os morcegos possuem um papel importante como reservatórios de diversos microrganismos, por outro, eles são fundamentais para a manutenção de diversos serviços ecossistêmicos que beneficiam humanos. Isso enfatiza a necessidade de programas de conservação específicos para esses animais, assim como o manejo adequado de populações em contato com humanos – Ricardo Moratelli, coordenador da Fiocruz Mata Atlântica.
A descoberta do Myotis guarani reforça a importância da ciência brasileira e das expedições em biomas ricos em biodiversidade.
O reconhecimento de novas espécies crípticas é essencial para a conservação ambiental e para a prevenção de futuras crises de saúde pública.
O desafio agora é garantir que a espécie continue a desempenhar seu papel ecológico, mesmo diante das ameaças ambientais contemporâneas.
- Fonte: https://agencia.fiocruz.br/
