Pesquisa da USP: mostra que 90% seguem tratamento da hipertensão!

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Adesão ao tratamento da hipertensão é essencial para evitar complicações graves
O esquecimento de doses é uma das principais causas da baixa adesão ao tratamento

Apesar do amplo acesso a medicamentos gratuitos pelo SUS, a adesão efetiva ao tratamento anti-hipertensivo entre brasileiros está muito aquém do que os próprios pacientes afirmam.

Pesquisadores da Escola de Enfermagem da USP examinaram mais de 250 pessoas com hipertensão, combinando entrevistas baseadas na Escala de Morisky e Green Levine com testes laboratoriais de urina para checar a presença real dos medicamentos.

O resultado foi impactante: enquanto 90,1% dos participantes garantiram aderir corretamente ao tratamento, apenas 32,4% apresentaram vestígios dos remédios nos exames, comprovando o consumo regular.

Esta discrepância revela o quanto o auto-relato pode ser falho e sugere um grande desafio para o controle da pressão alta no país.

Segundo a pesquisadora Mayra Pádua Guimarães, Muitos pacientes tendem a superestimar sua adesão por medo de julgamento, vergonha ou para agradar o profissional de saúde. Outros acreditam estar aderindo, mas fazem uso de forma irregular da medicação, esquecem doses ou interrompem o uso em períodos de melhora dos sintomas. Ainda de acordo com Mayra, por mais útil que o autorrelato seja na prática clínica, ele é sujeito a vários vieses, enquanto o exame de urina permite uma análise objetiva da adesão medicamentosa.

Por que brasileiros não aderem totalmente ao tratamento?

As razões são diversas. O esquecimento se destacou como principal motivo para descumprimento das orientações, representando 7,5% dos relatos na Escala de Morisky e Green Levine.

Mas há muitas outras barreiras: efeitos colaterais dos medicamentos, o uso simultâneo de vários remédios, dificuldade de acesso aos fármacos (mesmo com oferta gratuita no SUS), baixo letramento em saúde e a sensação de que é possível interromper o tratamento ao se sentir melhor.

Mayra destaca que, mesmo com o SUS ofertando os remédios, nem sempre o acesso é garantido: A existência de desabastecimentos pontuais e problemas logísticos podem comprometer o cuidado contínuo, além de barreiras econômicas para quem depende de medicamentos de marca ou não padronizados. Ela ainda reforça que, mesmo com intervenções como alimentação saudável e atividade física, a maior parte dos hipertensos de fato precisa de medicamentos para controlar a pressão.

O que o estudo reforça para o futuro

A pesquisa, supervisionada pela professora Angela Maria Geraldo Pierin e apoiada pelo CNPq e Capes, foi premiada em segundo lugar na categoria de Pesquisa Clínica do 32º Congresso da Sociedade Brasileira de Hipertensão em 2025.

A combinação inovadora de métodos diretos (teste laboratorial) e indiretos (autorrelato) mostrou com clareza a distância entre intenção e prática.

A pesquisadora pondera sobre limitações dos métodos, observando que resultados negativos no exame podem refletir o não uso dos medicamentos só naquele dia – ou, inversamente, resultado positivo pode sugerir alguém que só tomou o remédio pouco antes do exame.

Ainda assim, os dados apontam para a necessidade urgente de novas estratégias de acompanhamento e motivação dos pacientes para garantir o controle da hipertensão e evitar complicações graves, como infarto e derrame.

O estudo será submetido à publicação internacional e estará disponível na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP.

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Fabio Herdy, bacharel em Comunicação pela UCAM, com 23 anos de experiência em empresa jornalística, especializado em Webwriting, tem ampla experiência em produção de reportagens escritas, audiovisuais e produção de conteúdo para redes sociais. Conheça mais em Quem Somos.

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