Radioterapia: USP Descobre Sinal Precoce de Danos Cerebrais

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USP identifica sinal precoce de danos cerebrais após radioterapia em pacientes com câncer
Radioterapia pode causar danos precoces detectados por ressonância magnética no cérebro

Descoberta inédita pode revolucionar o planejamento do tratamento e a segurança dos pacientes

 

O que a pesquisa revelou

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), campus Ribeirão Preto, trouxe à tona um avanço significativo no acompanhamento dos efeitos da radioterapia no cérebro de pacientes com câncer.

A principal novidade é a identificação de um sinal precoce de danos cerebrais, detectado antes mesmo da perda de volume ou da redução da espessura cortical, camada externa do cérebro.

Como o estudo foi realizado

O trabalho analisou imagens de ressonância magnética de 42 pacientes adultos, com idades entre 19 e 66 anos, todos em tratamento no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP).

Os pacientes foram divididos em dois grupos: 25 tiveram imagens avaliadas até oito meses após a radioterapia (curto prazo), e outros 13, entre nove e 16 meses após o tratamento (longo prazo).

A comparação das imagens antes e depois da radioterapia mostrou que, antes de qualquer alteração visível, já era possível detectar mudanças na difusão de líquidos entre os tecidos cerebrais.

O que significa esse sinal precoce?

Segundo os pesquisadores, o aumento da difusão de líquidos indica que há morte de células neuronais devido à radiação, criando mais espaço para a água se espalhar entre os tecidos.

Se existe uma região com mais células, a difusão é mais restrita; se as células vão morrendo, existe mais espaço para a água se difundir, explica Renata Ferranti Leoni, professora do Departamento de Física da FFCLRP-USP, citada diretamente na matéria.

Esse fenômeno pode ser um biomarcador precoce de danos cerebrais, permitindo que os médicos monitorem e protejam áreas sensíveis antes que a atrofia se torne evidente.

Quais são as regiões mais afetadas?

O estudo destaca que os lobos frontal e temporal, além do hipocampo, são as áreas mais sensíveis à radioterapia. Essas regiões são fundamentais para funções como memória, aprendizado e emoções.

A proteção dessas estruturas durante o planejamento radioterápico pode ser decisiva para preservar a qualidade de vida dos pacientes.

Opinião das pesquisadoras

Érika Joselyn Ludeña Maza, pesquisadora orientada pela professora Renata, reforça: Em momento algum o estudo aponta a não realização da radioterapia. A radiação tem que ser tão baixa quanto razoavelmente possível. Ela destaca que os efeitos negativos variam conforme a idade, a dose de radiação e o tempo após o tratamento, mas o objetivo é sempre melhorar o planejamento para minimizar riscos.

Renata Ferranti Leoni também ressalta: Pode ser que esse seja um biomarcador precoce, algo para se olhar logo depois da radioterapia. Ambas concordam que o estudo não contraindica o tratamento, mas oferece uma ferramenta valiosa para orientar a proteção de áreas sensíveis e melhorar a segurança dos pacientes.

Anti-inflamatórios como aliados

Além de orientar o planejamento radioterápico, pesquisas recentes sugerem que o uso de anti-inflamatórios pode reduzir os danos causados pela radiação.

Isso reforça a importância de estratégias integradas para garantir o melhor resultado possível para os pacientes.

Fonte dos dados

Os pesquisadores analisaram imagens de ressonância magnética de 42 pessoas entre 19 e 66 anos em tratamento no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP).

Analisaram imagens anteriores à radioterapia pós-operatória e aquelas feitas até oito meses após a radiação, para um grupo de 25 pacientes (grupo A), e entre nove e 16 meses após a radioterapia para um grupo de 13 pacientes (grupo B).

A diferença de tempo entre as imagens serviu para avaliar os efeitos a curto prazo da radiação no grupo A e os de longo prazo no grupo B.

O estudo não sugere que não se realize radioterapia, mas busca orientar a proteção de áreas sensíveis. Além disso, pesquisas recentes indicam que anti-inflamatórios podem minimizar os danos.

A pesquisa da USP Ribeirão Preto, publicada em maio de 2025, abre novos horizontes na proteção cerebral durante a radioterapia, ao identificar um sinal precoce de danos e destacar a importância da proteção de áreas sensíveis do cérebro. O estudo não contraindica o tratamento, mas reforça a necessidade de planejamento cuidadoso para garantir a melhor qualidade de vida aos pacientes. Anti-inflamatórios também são apontados como aliados na redução de efeitos colaterais. Não há registro de evento específico associado à divulgação dos resultados.

 

  • Fonte: Jornal da USP, Campus Ribeirão Preto, publicado em 30 de maio de 2025.
  • Disponível em: https://jornal.usp.br/

Portal Universidade

Fabio Herdy, bacharel em Comunicação pela UCAM, com 23 anos de experiência em empresa jornalística, especializado em Webwriting, tem ampla experiência em produção de reportagens escritas, audiovisuais e produção de conteúdo para redes sociais. Conheça mais em Quem Somos.

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