
A Fiocruz e o Centro de Pesquisa em Saúde Global da Universidade de Estudos Estrangeiros de Guangdong, na China, anunciaram uma colaboração para enfrentar os impactos da contaminação por mercúrio em comunidades indígenas da Amazônia.
O acordo, previsto para ser formalizado em agosto deste ano, busca desenvolver ações conjuntas nas áreas de pesquisa, ensino e políticas de saúde.
Contexto da parceria
Entre os dias 19 e 20 de março, Kunihiko Yoshida, professor honorário da universidade chinesa, esteve na Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz) para discutir os termos da cooperação.
A iniciativa tem como foco a troca de conhecimentos e a realização de projetos voltados à saúde ambiental e ocupacional.
Yoshida destacou a relevância do trabalho conjunto: Ainda temos muitos obstáculos e poucos problemas foram resolvidos. Por isso, nós precisamos de uma colaboração internacional voltada a esses assuntos, para que a sociedade ocidental entenda a importância de se estabelecer uma espécie de ‘crescimento consciente. A China também tem problemas ligados à devastação ambiental e contaminação. Sendo assim, construir um novo Memorando de Entendimento entre o Brasil, o Japão e a China pode ser muito significativo.
Impactos do mercúrio na saúde indígena
A doença de Minamata, causada pelo envenenamento por mercúrio devido ao consumo de peixes contaminados, é uma das principais preocupações do projeto.
Essa condição neurológica grave foi identificada em populações indígenas brasileiras, especialmente na região amazônica.
O pesquisador Paulo Basta, da Fiocruz, reforçou a importância dessa parceria:
- Essa cooperação vai dar mais visibilidade à temática, ampliando o debate e a repercussão internacional acerca dos efeitos deletérios da contaminação por mercúrio. O reconhecimento da existência da doença de Minamata no Brasil indica a importância de pesquisas nessa área e fortalece nossas linhas de investigação e nosso grupo de pesquisa como um todo.
Estudos e dados sobre o tema
Pesquisas conduzidas pela Ensp/Fiocruz já resultaram em publicações importantes sobre o impacto do mercúrio na saúde indígena. Entre os destaques:
Seis artigos sobre Saúde Ambiental e Ocupacional no Brasil foram publicados na revista International Journal of Environmental Research and Public Health. Esses trabalhos são acessíveis ao público gratuitamente.
Um estudo longitudinal em andamento revelou níveis alarmantes de mercúrio em gestantes Munduruku na Amazônia. Os índices encontrados são dez vezes superiores ao limite considerado seguro. Os resultados finais desse estudo serão divulgados em dezembro de 2026.
A equipe liderada por Paulo Basta também lançou o livro acadêmico Garimpo de Ouro na Amazônia: Crime, Contaminação e Morte, em parceria com Ana Claudia Vasconcellos.
