
O estado de São Paulo enfrenta, em 2025, um dos maiores desafios dos últimos anos em relação à febre amarela.
Dados da Secretaria Estadual de Saúde apontam que, apenas em janeiro, o número de casos humanos já superou todo o ano anterior: sete infecções confirmadas, todas em municípios do interior paulista, contra dois casos e um óbito registrados em 2024.
Esse é o maior número desde 2019, quando houve 64 casos autóctones e 12 mortes no estado.
O cenário exige urgência e inovação. E a resposta veio das mãos dos pesquisadores da Fiocruz, que desde 2016 ampliaram o uso de tecnologias digitais e modelos computacionais para antecipar surtos e proteger a população.
Eventos e Treinamentos: Capacitação em Tempo Real
Entre os dias 14 e 17 de janeiro de 2025, a Fiocruz, em parceria com a Secretaria de Saúde de São Paulo, realizou um treinamento intensivo para 28 técnicos de vigilância em saúde de Ribeirão Preto e dos municípios vizinhos de Luís Antônio, Guatapará, Barrinha e Jaboticabal.
Na semana seguinte, a capacitação se estendeu para cerca de 60 profissionais de outros 26 municípios do estado, com apoio do Ministério da Saúde.
O objetivo desses encontros foi qualificar os agentes para o uso do sistema SISS-Geo, plataforma digital que permite o registro e o monitoramento em tempo real de animais doentes ou mortos, especialmente macacos, considerados sentinelas da circulação do vírus da febre amarela.
Como Funciona a Vigilância Inteligente
O SISS-Geo utiliza algoritmos automatizados para detectar anormalidades em animais registrados na plataforma por colaboradores voluntários, profissionais de saúde e ambientais.
Diante de qualquer suspeita, o sistema dispara alertas eletrônicos para gestores municipais, estaduais e federais, indicando a localização exata, imagens e dados do animal.
Isso permite organizar rapidamente a coleta de amostras, reforçar a vacinação na área e otimizar recursos para investigação e diagnóstico.
Segundo a pesquisadora Marcia Chame, coordenadora do Centro de Informação em Saúde Silvestre da Fiocruz, A vigilância de febre amarela no Brasil é contínua e, após os surtos extra-amazônicos de 2016, fortaleceu-se com novas tecnologias e parcerias.
Ela destaca ainda: A detecção precoce da circulação do vírus da febre amarela e a prevenção começam na identificação de primatas mortos não humanos ou doentes na mata ou próximas a ela. Esta informação está basicamente nas mãos da população e dos agentes de saúde que estão nos territórios.
Citações Diretas da Especialista
A vacina é segura, está disponível, a estratégia de vigilância é eficaz e pela primeira vez podemos agir antes da ocorrência de surtos.
— Marcia Chame, pesquisadora da FiocruzCom a Covid-19 e a dengue nos últimos anos, não se falou mais de febre amarela, mas o vírus continua aí, não desapareceu e traz a cada dia novos desafios para a saúde que não podem ser esquecidos.
— Marcia Chame, pesquisadora da Fiocruz
Dados, Estudos e Pesquisas
Abaixo, os principais dados e informações técnicas citados textualmente, com fontes oficiais:
→ De acordo com dados da Secretaria Estadual de Saúde, o estado de São Paulo ultrapassou em menos de um mês, em janeiro, o número de casos de febre amarela e mortes notificados em 2024 (quando foram confirmados dois casos, com um óbito). Ao todo, em 2025, já são sete casos da doença em humanos, todos no interior paulista.
Este já é o maior número de casos desde 2019, quando foram registrados 64 casos autóctones (contraído na própria região onde a pessoa vive) e 12 óbitos em todo o estado de São Paulo.
O SISS-Geo é desenvolvido pela Fiocruz para a vigilância de animais como estratégia de apoio às ações de prevenção e controle de doenças em animais e pessoas, em todo o Brasil.
→ Alertas com coordenadas geográficas precisas e informações que em tempo real chegam aos gestores e garantem dados disponíveis do campo ao diagnóstico final.
Inovação e Educação: O Futuro da Prevenção
A parceria entre Fiocruz, Ministério da Saúde, secretarias estaduais e municipais, além da participação ativa da população, mostra que a inovação tecnológica e a educação continuada são fundamentais para enfrentar a febre amarela.
Com o SISS-Geo, o Brasil avança na capacidade de antecipar riscos e proteger vidas, tornando-se referência global em vigilância de zoonoses.
- Fonte: https://agencia.fiocruz.br/
